Parâmetros Thielle Smal - resumo
texto produzido por Marcelo Shiguematsu Motitsuki - 20/3/2006
Todos os direitos autorais reservados
AutoSom.net http://autosom.net

Parâmetros Thielle Smal - resumo


Olá Pessoal!

A quem interessar seguem meus comentários a respeito.

P A R Â M E T R O S:

Esses parâmetros T/S, o que significam e como posso escolher melhor os falantes; como usá-los para melhor selecioná-los adequadamente a minha necessidade; vou tentar colocar uma a uma a visão geral do que significam:

Fs: Ressonância do falante ao ar livre (em free air);
É o ponto onde as partes móveis do falante ressonam; em regra vamos ter dificuldade em produzir a partir dele freqüências abaixo dela; assim um falante com fs de 55hz não vai produzir 35hz com desenvoltura; já um falante com fs de 35hz vai produzir 32hz se estiver em caixa com sintonia adequada; a exceção se dá quando o falante está colocado em corneta quando é menos afetado pelo valor do fs, e funciona mais como um pistão..

Qts Valor de Q total;
Descreve a qualidade ou característica total do falante que pode ser elétrica e mecânica; Vai nos dizer quão forte os conjuntos dos sistemas de motor e magnético do falante são.
Assim um falante com valor de Qts ao redor de 0,2 vai ter um conjunto magnético grande, sendo capaz de mover o cone com enorme força; é o que os nossos irmãos do norte chamam de tight driver (firme, com alto controle do movimento do cone); quando esse Qts sobe para 0,45 o falante terá um conjunto magnético menor, pelo que exercerá menor controle no movimento do cone;
Assim valores menores de Qts são indicativos de som firme e com pancada , com menor peso e graves profundos; Qts maiores nos darão um grave mais pesado e mais lento respondendo a freqüência bem baixas;
Quando nos depararmos com falantes de Qts de 0,6 ou acima vamos estar diante de falantes que necessitam caixas enormes para ter uma resposta adequada, enquanto que em caixas menores não teremos resposta de subgraves baixos; Seriam melhor usados tipo num carro 3 volumes, quando o porta-malas funcionaria como Vb.

Qms Fator de Q mecânico;
Ele leva em consideração as propriedades mecânicas do falante; qual sejam a suspensão externa (borda) e a aranha que prendemos a bobina, responsáveis pela sustentação do cone a fim de que mantenha o movimento linear dentro do gap;
É calculado dividindo-se o produto de Fs multiplicada pela raiz quadrada de Ro pela subtração de f2-f1;
Na prática valores de Qms maiores vão nos dar um som mais aberto, mais limpo e com melhor dinâmica, motivo pelo qual terão menos perdas; A borda terá melhor flexibilidade e a aranha terá construção dando como resultado melhor fluxo do ar e na maioria melhor sensibilidade, sendo bom indicativo de reserva de energia acumulada.

Quando vamos desenhar uma caixa, o Qts sendo um derivado do Qms e Qes nos dará um importante indicativo, aliado ao Vas, e Fs, sendo tudo de quer precisamos para determinar o tamanho da caixa; num estágio mais avançado de projeto, os parâmetros Qes e Qms vão ser os pilares para sabermos por onde ir.

BL Força motor do falante:
Maior o valor de BL mais forte será seu conjunto magnético (motor); falantes com alto valor de BL, ao redor de 30, ou mais tem maior condição de controlar seus cones adequadamente; certamente terão conjuntos magnéticos massivos, pesados. Em geral apresentarão também baixos valores de Qts.
Falantes com BL baixo de 20 ou menos, terão menos condições de controle sobre o cone. Logo terão valores de qts maiores; Eles se darão melhor em caixas dutadas, band-pass, dando-nos uma resposta lenta e pesada, com não boa resposta a transientes;

Vas Volume de ar equivalente a compliância do falante:
Esse parâmetro vais nos dizer o quão controlado é o movimento do cone, sendo medido em litros; Há várias variáveis que influenciam na determinação do seu valor; não podemos assegurar que altos valores significam ser melhor; A suspensão (aranha) simples ou dupla, bem como o tamanho do cone (Sd); também a temperatura ambiente, a umidade do ar vão afetar seu valor, o que faz esse parâmetro ser um dos mais difíceis de ser medido com correção.

Mmd Massa do cone em peso:
Significa o peso do cone, da bobina e outras partes móveis do conjunto (reparo completo; é isso tudo junto); assim um falante de 18 com um Mmd de 100g vai ser mais eficiente do que um que apresente um cone mais pesado.
Um cone leve também será movido mais rapidamente em relação ao mais pesado; parece ser uma característica dos falantes de alto qts (seria para compensar?), dando a idéia de ter resposta adequada a transientes, quando de fato, falantes de alto Qts, devido ao seu conjunto motor (magnético) menos eficiente, anulam as vantagens do cone mais leve.
Falantes com cone de 200g ou mais vão apresentar cones mais pesados e firmes; de maneira geral vão ser menos eficientes, ter dupla aranha e valores menores de Qts.
Falantes com cones mais pesados podem apresentar um som mais lento, mas se tiverem Qts baixo e BL alto, ao contrário, terão boa resposta a transientes, isso devido ao conjunto motor forte.
Temos também o parâmetro Mms que é o peso do cone incluindo a massa radiante, não devendo ser confundido com o Mmd.
Alguns programas de simulação de caixas de som vão calcular os valores de Mms quando entrarmos com o Mmd.

Sd Área efetiva do cone:
Nos é dada em cm2; é a área total do cone que irá mover o ar; Quanto maior o cone mais ar ele irá movimentar; como tocar grave significa mover ar, quanto maior o cone menor o movimento necessário pra dentro e pra fora; quanto mais fundo o cone maior o Sd, o que explica valores diferentes; alguns autores quotam a distância do diâmetro começando pela suspensão externa incluída até ao limite do cone do outro lado, para o efetivo diâmetro do pistão.

X-máxima Montante da bobina fora da peça polar superior:
Valor mais amado por muitos esse parâmetro representa a distância da altura total da bobina, diminuída da medida da altura da peça polar superior, dividida por 2; ou seja à distância em que a bobina mantém seu enrolamento dentro do gap acima e abaixo da peça polar (onde temos o fluxo magnético); Assim se temos um falante com x-máxime de 8mm, isso quer dizer que ele poderá ter um movimento de 8mm para fora e 8mm para dentro, ainda estando dentro do fluxo magnético, e com movimento mais linear, assegurado pelo conjunto magnético, suspensão da borda externa e aranha, damping factor do ampli;
Excedidos esses valores o cone do falante não mais estará regulado por esses controles, sendo colocado por autores que usá-lo constantemente desta forma seria coisa de pessoa não sana, uma vez e o reconamento vai ser uma questão de tempo.
Cabe ainda advertir que alguns fabricantes adicionam 15% a esses valores (por quê?).
Confundir esse valor com x-mecânico pode causar graves problemas à saúde do falante, pois além de compressão dinâmica, poderá bater no fundo do gap, deformando a forma da bobina.

Vd Volume de deslocamento:
Vd é o produto do Sd x a x-máxima; assim se a questão é mover quantidade enorme de ar nas baixas freqüências esse é o parâmetro a ser olhado também. Isso por que para produzir som precisamos mover ar e quanto mais baixa a freqüência a ser reproduzida, maior será a quantidade de ar a ser movida para nos dar determinado resultado. Podemos fazê-lo usando cones maiores que tem maior Sd ou com cones menores, com a penalidade de ter maior movimento pra dentro e pra fora em relação aos maiores; (área do cone maior dividida pela do cone menor vai nos dar a necessidade de deslocamento do menor em relação ao maior para produzir o mesmo resultado).
É fácil calcular isso e comparar os valores de Vd vai nos dar um indicativo do que um falante de graves pode produzir, sendo uma coisa que poucos realmente fazem.

no Free air reference efficiency:
Esse parâmetro nos é dado em percentual; Olhar o valor de eficiência de referência é mais útil do que olhar o valor quotado pela maioria dos fabricantes para a sensibilidade (eficiência em dBs);
Alguns valores não são os calculados pelos parâmetros listados (não conferem) sendo às vezes inflados.
Outros são quotados sem ao menos termos os parâmetros disponíveis;
Falantes com altos valores de x-máxima geralmente são ineficientes (baixa sensibilidade), necessitando além dos altos valores neles despendidos, amplificadores maiores para que consigam tocar, que também significam altos dispêndios, quando poderíamos usar falantes mais eficientes, empurrados por amplificadores menores, com resultados semelhantes, se não maiores, talvez com uma fração do gasto.
Isso sem falar no menor peso a ser carregado;
Se o seu caso for precisar tirar som de menores caixas e tocar seus falantes com potências extremas, a solução será usar esse com longas bobinas ineficientes, de grande x-máxima, grandes e caros amplificadores;
Não entrarei no mérito dos cálculos uma vez que acredito que todos aqui tenham embasamento matemático de 2ºgrau para tirar suas conclusões..

COMPRESSÃO DINÂMICA:
Esse não é um parâmetro T/S mas certamente tão ou mais importante no trato da coisa do som; Seus valores são quotados por alguns fabricantes como exceção; isto por que são os que mais dor de cabeça lhes dão.
Esse valor vai nos dar a quantidade de perda em dBs que o falante apresentará por causa do aquecimento da bobina, o que aumentará a sua impedância, e como conseqüência o amplificador vai mandar menos potência ao falante, mesmo que aumentássemos o volume.
Quando enterdermos isso vamos tocar aquém dos limites do falante, tendo como recompensa mais som como resultado prático.
O que causa isso é o deslocamento excessivo do cone/bobina, o que provoca cada vez menos arrefecimento, por estar o enrolamento menos em contato (com o fluxo magnético), passando o enrolamento além do limite da peça polar, onde há a pobre troca de calor, além do ar circulante, devido a melhoramentos acrescidos na sua ventilação, e short rings em alguns casos.

Desse mal todos os falantes, sem exceção, sofrem; alguns mais outros menos. Um indicativo certo é o deslocamento do cone onde devemos prestar grande atenção.
Exceção sempre há, e é em cornetas bem calculadas que podemos nos dar ao luxo de chegar a ultrapassar limites, isso graças a Vbs minúsculos, e sistemas de arrefecimento com técnicas inovativas.
É voz corrente que pouco falante tem compressão menor do que 3dBs tocando a 0dB, ou seja se um falante está quotado para 800wrms e tiver 3dBs de compressão dinâmica, teoricamente tocando a 400 wrms tocaria praticamente a mesma coisa do que se estivesse sendo tocado a 800wrms; na real mesmo a 400wrms ele ainda apresenta alguma compressão, que aumenta à medida que sua bobina esquenta;
Trabalhar com hedroom é a receita!
Boas técnicas na confecção de caixas são imperativas na minimização desses efeitos e são certamente segredos guardados pelos grandes fabricantes, diferenciais esses que podemos observar se comparar-mos bons projetos originais com seus clones (e como tem), quando nem ao menos os parâmetros dos falantes originais são levados em conta como um indicativo do que usar na hora de colocar o substituto na caixa.

Espero que essas linhas ajudem nas suas escolhas e que também busquem o contraditório.

Saudações,

Paulo Duto.




Imprimir Mais Artigos - Procurar
Artigos AutoSom.net - Todos os direitos reservados - cópia somente mantendo autoria e procedência
imprimir
AutoSom.net © | 1997/2009 | Copyright, Direitos Reservados | http://autosom.net | Contato